Será que nós precisamos mesmo de um psicólogo?

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Quando alguém sugere a busca de auxílio psicológico para os pais de crianças pequenas ou até bebês, muitas dúvidas surgem sobre a real necessidade desse trabalho, em que, de fato, um profissional poderia ajudar.

É comum surgir um movimento de resistência inicial para o trabalho psicológico que está relacionado com a ideia de loucura ou gravidade de sintomas. É a velha crença de que a psicologia é para os casos graves de desajuste social, entendendo que o trabalho realizado seria na direção da cura ou da normatização de comportamentos.

Entendo que essa ideia antiga talvez não esteja assim tão ultrapassada, já que há nos últimos tempos uma epidemia de rótulos e diagnósticos na infância, assim como o uso abusivo de medicações com crianças, patologizando sintomas e comportamentos.

No entanto, uma criança está em desenvolvimento e nenhum comportamento pode ser entendido como um problema ou considerado inadequado fora de um contexto maturacional, psíquico, social e familiar.
O atendimento com pais e bebês deve ser ainda mais cuidadoso pois os bebês demonstram sintomas que podem sinalizar muitas coisas diferentes ao mesmo tempo. Por exemplo, cólicas, infecções de repetição, alterações no sono, irritabilidade, podem ser sinais de ordem fisiológica, neurológica ou psíquica.

Para a psicanálise é importante fazer uma leitura, junto com os pais ou cuidadores, do que determinado comportamento ou sintoma pode significar para o seu filho. Certamente cada criança sente e vive de maneira única e não é possível fazer generalizações. Se a criança é um
pouco maior, ela também trará sua demanda através da forma como comunica, interage e brinca.

Quando há mudanças de comportamento ou sinais de que o bebê ou a criança está sofrendo talvez seja o momento de pedir ajuda. Os encontros com um profissional devem caminhar para uma melhor compreensão desses sinais, dos seus possíveis significados latentes. A eliminação de possíveis sintomas, a todo custo, ou um diagnóstico em que a criança “se
encaixe” não é a finalidade do trabalho. Sinal de sofrimento nem sempre é sinal de uma patologia, mas ambos precisam ser analisados e trabalhados cuidadosamente.

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