Meu filho está atrasado?

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Tudo é acelerado, rápido. Não se pode perder tempo. Nas grandes cidades como São Paulo todos estão apressados para honrar com compromissos, trabalho, estudo, ter um pouco de lazer, ou para realizar atividades que preencham bem o tempo dos adultos e crianças.
Estamos sempre correndo em alta velocidade para ver quem chega primeiro e quem vai ficar para trás, sendo comum ouvirmos frases como: “puxa, você é tão jovem e já é ocupa esse cargo?”, “nossa, sua filha já sabe ler?” ou as impiedosas falas “ Seu filho ainda não deixou a mamadeira?”, “ ele ainda não fala? Cuidado, ele pode ter alguma coisa”. E esse alguma coisa é certamente, no raciocínio de quem fala, algo na direção de uma doença. O bebê e a criança têm seu tempo, seu ritmo próprio para o desenvolvimento. Temos na nossa cultura hoje uma normatização cronológica baseada nos processos de maturação e que estabelece uma relação direta entre certas aquisições e a idade da criança, sejam elas motoras, cognitivas ou subjetivas.
É no circuito do desejo entre os pais e o bebê que se antecipam determinadas aquisições e se tornam possíveis os avanços. Um exemplo clínico simples é ver a surpresa dos pais ao perceberem que realmente as coisas em casa funcionam melhor quando conversam e antecipam situações de sua rotina para o bebê, que às vezes parece irritado ou ansioso, por exemplo, na hora de comer. O tom de voz, a suposição de que o bebê pode compreender e esperar a papinha ficar pronta e ser colocada no prato tem seus efeitos.
O perigo reside na ideia positiva que temos hoje de que quanto mais cedo, mais precoce, melhor. Há uma supervalorização perigosa de rápidas aquisições ou aprendizagens que tem como contrapartida a desvalorização do que está bom, do que é esperado, do que simplesmente não é tão acelerado. Os pais relatam com grande orgulho para os amigos e familiares que seu filho começou a andar com 11 meses. E os amigos que tem filhos chegam a pensar que o seu próprio filho, que andou com 15 meses, talvez tenha então algum atraso…
Isso é ainda mais perceptível quando a criança já está na fase escolar de aquisições pedagógicas como leitura e escrita.
A exigência que se faz em cima dos bebês e crianças, valorizando aquisições precoces, impõe uma grande expectativa a ser correspondida e isso pode nem sempre ter efeitos positivos para eles.
É no brincar, no tempo livre, que belas descobertas se fazem e que o desenvolvimento se dá, pouco a pouco. É preciso que o adulto deixe o tempo passar. Há tempo para observar, para instigar o bebê a avançar, mas também há tempo para esperar e se surpreender com as descobertas e avanços de cada um deles.

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