Eu errei muito com minha filha, mas agora eu faço diferente

“Eu errei muito com minha filha, mas agora eu faço diferente”
Essa fala da mãe de uma garotinha me chamou a atenção. No cotidiano com a bebê essa
jovem mãe me conta que buscava oferecer bem-estar para sua filha, num ambiente
confortável e protegido, deixando-a grande parte do dia dentro de um chiqueirinho com
brinquedos. Dessa forma, ela podia cuidar de algumas tarefas domésticas sem se preocupar
com que sua bebê estivesse pela casa em situações de risco.
Entretanto, pouco a pouco, ela percebeu que a filha estava de fato muito bem protegida, mas
também desinteressada pelo ambiente ao seu redor, afinal, ele se restringia aos seus
brinquedos já tão bem conhecidos de dentro do chiqueirinho. Um dia, quando alguém
perguntou se sua filha já a engatinhava ela entendeu que a menina não precisava fazer isso
naquele ambiente tão restrito e se deu conta do seu “erro”.
Parece pesado o uso dos adjetivos certo ou errado no contexto dos cuidados da mãe com seu
bebê. Na difícil tarefa da maternagem, proteger, cuidar, mas também possibilitar a autonomia
da criança nem sempre é tarefa simples.
Quando o bebê é ainda bem pequeno ele é totalmente dependente do adulto cuidador para a
satisfação de suas necessidades fisiológicas que, sempre atendidas, produzem nele uma
sensação de existência contínua com a mãe. No entanto, com o passar do tempo, o bebê vai
assimilando aspectos do mundo externo, também intermediados pela mãe, e pouco a pouco
vai se tornando capaz de viver sem uma completa fusão com sua mãe, desenvolvendo a
simbolização.
Ver que a criança vai dar conta dos novos desafios, de esperar, deixar-se surpreender com o
prazer das novas descobertas e soltar, deixar o bebê crescer. Essa mãe compreendeu que uma
nova etapa era necessária e o quanto é importante rever sua função e suas escolhas
constantemente; ela pôde perceber quando era hora de mudar, que as demandas e
necessidades da filha se transformaram com o tempo. A bebê continuava precisando dela sim,
e da sua proteção, mas de um outro jeito, num outro lugar.
Enfim… uma frase como essa, que demonstra a preocupação de uma mãe em seguir numa
direção positiva para o desenvolvimento da sua filha, definitivamente não pode fazer
referência a algo de errado.

 

Gostou do texto? Ficou com alguma dúvida? Vem conversar com a gente! Clique aqui!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *