A hora de dizer “não”!

bebechorando

Muitos pais ficam na dúvida sobre qual o momento de dizer não aos seus filhos, e as coisas se complicam um pouco ainda mais quando eles são bebês.

Como falar “não” a um bebê? Será que ele entende? Mas tenho dó!  Ou seja, muitas ideias passam na cabeça dos pais sobre a incapacidade ou não de uma criança entender e absorver a proibição dos pais. E o maior medo é de que elas se zanguem, se magoem ou que isso possa abalar de alguma forma o sentimento que elas sentem por seus pais! Sim, isso passa pela cabeça, mesmo que de maneira inconsciente!

O bebê que já se locomove quer subir em um local “proibido”, pegar o controle remoto da TV, ou um objeto perigoso como aquele celular que você adora, mas que uma hora ou outra estará nas mãos dele, correndo algum risco de quebrar.  E então, quando o “não” aparece, seu bebê se frustra por ter sido contrariado, e a famosa birra aparece: chora, esperneia, se joga no chão. É uma reação dele  por não ter tido sua satisfação realizada. Até aí normal, é assim mesmo que as crianças pequenas reagem quando barradas, para elas é muito difícil ter um desejo  proibido, a emoção que lhes atravessa é algo que não conseguem nem entender nem controlar, e por isso a descarga emocional…

Mas e nós adultos, o que fazemos? Realmente, não é nada fácil ver nosso filho chorando e gritando, seja na frente dos outros ou mesmo só para nós. Há uma tendência em querermos acabar com esse suposto sofrimento, seja lá de que lado ele esteja. Sim, o sofrimento acontece com a criança e com o adulto. E então, ou não falamos “não” e cedemos, ou damos algo em troca, tudo para calar esse pequeno ser que chora a plenos pulmões!! E se cedemos  pronto! Bastou para a criança perceber que arma poderosa está em suas mãos. Receitas mágicas não existem, mas a firmeza e coerência dos pais nas situações em que o NÃO é necessário, vai mostrando para a criança que não adianta a birra! É claro que não é falar “não” a todo momento para a criança, mas ele é inevitável, seja dito diretamente ou não..

Quando crianças somos seres guiados pela emoção e pelas sensações que a descoberta e exploração do mundo nos causa.  É através da exploração e na relação com os pais que as crianças vão experimentando as diferentes sensações, desenvolvendo o raciocínio, criatividade e a capacidade de resolver os problemas. E testar os limites faz parte disto, também. Nós adultos sofremos também,  quando percebemos que satisfazer nossas vontades não é possível o tempo todo, porém já temos estofo o suficiente para lidar com estas situações…(assim esperamos, não é?).

 Somos seres inseridos em uma cultura com suas regras, normas e funcionamentos. Abrir mão dos nossos desejos imediatos em prol das regras sociais muitas vezes requer um  amadurecimento.

Isso não quer dizer que temos que abrir mão de tudo o que queremos pelo outro! De forma alguma! Mas a criança necessitará desta tolerância para viver em sociedade, se relacionar com os familiares, com professores e colegas na escola, ou seja ser alguém inserido nessa cultura.  E isso só será possível através dessa regulação que os pais fazem. O “não”, o limite,  organiza a criança e lhe tira um pouco desse mundo de excesso carregado de energia, e por vezes perturbadora das experimentações que a criança realiza em seu dia a dia. Sabe aquela frase, que nossos pais falavam “tem hora que a criança  pede pra apanhar (substitua isso por favor por um NÃO consistente e amoroso), é isso: a criança por menor que seja necessita desse não, de ser barrada de ser controlada por alguém de fora, que possa fazer com que esse excesso de querer e de novidade não a invada cada vez mais…

Há muitos estudos que demonstram os prejuízos emocionais para a criança que cujo os pais têm dificuldades em impor limites. À criança que é tudo permitido, cresce insegura com dificuldades de se colocar sozinha distante dos pais, já que o resto do mundo não agirá como eles.

Bem,  agora que você sabe que é natural a criança fazer birra e da importância do adulto dizer “não”, significa que seu bebê não lhe testará mais ou que será mais fácil lidar com esta situação? A resposta é não, mas, saber que esta atitude dele faz parte de seu desenvolvimento, e que  seu papel é muitas vezes “barrá-la”, pode lhe ajudar a não sentir-se mal quando faz isso com ele, pelo contrário, pense que você o estará ajudando a se tornar uma pessoa que consegue conviver e respeitar o outro!

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